Estudantes da Unifranz desenvolvem aplicativos para organizar finanças, facilitar pagamentos digitais sem internet e verificar dinheiro

A tecnologia desenvolvida por estudantes universitários começa a responder a problemas concretos do cotidiano. Desde a incerteza sobre a validade de determinadas cédulas até a desorganização financeira de pequenos empreendedores ou a falta de serviços bancários em áreas rurais, diferentes iniciativas tecnológicas buscam simplificar tarefas diárias e aproximar soluções digitais de mais pessoas.
Um desses projetos inovadores tem como foco a inclusão financeira em áreas rurais. Trata-se de uma carteira digital inteligente capaz de realizar pagamentos sem depender da internet, desenvolvida por estudantes de Engenharia de Sistemas e Engenharia Comercial.
“Trata-se de uma carteira inteligente que não depende totalmente da internet, pensada para funcionar em áreas rurais. Pode ser utilizada em regiões onde não há conectividade para realizar pagamentos, assim como fazemos nas lojas das cidades”, explica Nicol Andrea Quenama Vásquez, estudante de Engenharia de Sistemas.
O dispositivo utiliza verificação biométrica por meio de impressão digital e reconhecimento facial, além de um sistema de confirmação por mensagens de texto para validar transações mesmo na ausência de conexão.
Embora respondam a problemas distintos, os três projetos compartilham um mesmo enfoque: utilizar a tecnologia para resolver necessidades reais da sociedade.
“O que buscamos como estudantes de engenharia é aplicar a filosofia Unifranz de resolver um problema real com soluções reais”, conclui Zárate.
Aplicativo para empreendedores
A essa iniciativa soma-se o Cuadernito Digital, um aplicativo pensado para empreendedores que ainda registram suas receitas e despesas em cadernos ou anotações informais. O projeto foi desenvolvido por docentes e estudantes dos cursos de Contabilidade e Engenharia de Sistemas.
“Identificamos que muitas pessoas ainda registram suas receitas e despesas de forma manual, em cadernos ou de maneira desorganizada, o que dificulta ter uma visão clara da situação financeira do negócio”, explica Luz Estrella Canido, diretora do curso de Contabilidade e líder do projeto.
O aplicativo permite registrar receitas, despesas e vendas por produto, além de gerar relatórios financeiros diários, semanais e mensais que auxiliam os empreendedores na tomada de decisões e no planejamento do crescimento de seus negócios.
Verificador de dinheiro
“Verifica tu billete” é um aplicativo web que permite verificar, em segundos, se as cédulas da série B estão habilitadas para circulação. A ferramenta surgiu em meio à confusão gerada após o acidente aéreo ocorrido em El Alto, quando um avião Hércules C-130 que transportava 17,1 milhões de unidades monetárias, totalizando 50 milhões de bolivianos, caiu e parte do dinheiro foi subtraída, levando à inabilitação temporária de algumas cédulas.
A medida gerou desconfiança em mercados, transporte público e estabelecimentos comerciais, onde muitos cidadãos passaram a rejeitar cédulas de 10, 20 e 50 bolivianos devido à dificuldade de identificar se estavam dentro dos intervalos válidos.
Diante desse cenário, estudantes de Engenharia de Sistemas da Universidade Franz Tamayo (Unifranz) desenvolveram uma plataforma que permite verificar as cédulas utilizando a câmera do celular.
“O projeto atualmente se chama Verifica tu billete Unifranz. Um dos principais benefícios é que não precisamos digitar manualmente o número de série da cédula, pois, por meio da câmera, saberemos se ela está habilitada ou não e a que série pertence”, explica Ignacio Zárate, um dos desenvolvedores.
A aplicação funciona de forma simples: o usuário acessa a plataforma, autoriza o uso da câmera do dispositivo e escaneia o número de série da cédula. Em poucos segundos, o sistema processa as informações e confirma se o dinheiro pode ser utilizado.
“A principal motivação é ajudar as pessoas que, após o acidente e todos os problemas gerados com as cédulas da série B, tinham dúvidas sobre se seu dinheiro estava ou não habilitado para uso comercial”, acrescenta Zárate.
O desenvolvimento também envolveu desafios técnicos. Galilea Llusco, integrante da equipe, explica que um dos principais foi aperfeiçoar o sistema de reconhecimento para evitar que o scanner confundisse letras impressas na cédula com o código de série.
“O processo de desenvolvimento do aplicativo começou com a investigação sobre quais cédulas estavam inabilitadas, a criação de uma base de dados, o design da interface e, posteriormente, a integração da câmera com o sistema”, destaca.